Site oficial do nosso eterno poetinha:
http://www.viniciusdemoraes.com.br
terça-feira, 10 de setembro de 2013
quinta-feira, 11 de julho de 2013
III Café Cultural: Vinícius de Moraes e a sua dicotomia - entre a religião e o prazer.
Olá queridos alunos do educare. No próximo café cultural irei abordar o tema da dicotomia em Vinícius e para facilitar nosso debate sugiro a leitura do arquipo abaixo. Ele faz uma viagem a uma fase quase esquecida do Poeta. Após a leitura já pode enviar suas dúvidas para trocarmos ideias. Um abraço a todos.
http://www.uel.br/pos/letras/terraroxa/g_pdf/vol5/v5_7.pdf
Gustavo Custódio
http://www.uel.br/pos/letras/terraroxa/g_pdf/vol5/v5_7.pdf
Gustavo Custódio
III Café Cultural Tributo a Vinícius de Moraes.
Já tem data definida: o próximo café cultural será realizado em 11/09/2013. As temáticas abordadas serão:
Sugestão temática: Vinícius de Moraes 100 anos de um poeta em busca de paixão.
Vinícius de Moraes e a sua dicotomia entre a religião e o prazer. (Gustavo Custódio)
Vinícius de Moraes e a segunda fase do modernismo. (Flávia)
Vinícius de Moraes e suas traduções pelo mundo. (Odilon)
Vinícius de Moraes e a vida cotidiana. (Valéria Bahia)
Vinícius de Moraes e suas influências na Mpb. (Hugo Guedes)
Vinícius de Moraes e o imaginário popular. (Gabriela)
Vinícius de Moraes e o tempo da II Guerra Mundial: questões econômicas e políticas. (Thiago.)
quarta-feira, 10 de julho de 2013
quinta-feira, 4 de julho de 2013
terça-feira, 2 de julho de 2013
Fotos do II Café Cultural.
Prof: Juliano Zaparolli - abertura do evento.
Aluno Participantes
Andreia Brasil - Diretora do Colégio Educare
.
Prof: Valéria Bahia - uma apaixonada por Sócrates (kkkkk)
Prof: Valéria Bahia a frente e os professores participantes ao fundo (da direita para a esquerda, Flávia, Gabriela, Odilon, Thiago, Juliano, Hugo e Gustavo).
Tela de Projeção para apresentações com um lindo trabalho do Anderson, somente ele para substituir a garrafa de cerveja que estava sobre a mesa por uma linda rosa azul.
Professores Participantes com Hugo Guedes tocando Com que Roupa eu Vou.
Prof: Thiago em sua Fala: Noel um Cronista de seu Tempo.
Prof: Gustavo: uma menção a forma existencial de ver a vida.
Professores: Flávia e Hugo.
Nosso queridos alunos compenetrados.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Noel Rosa Cronista de seu Tempo.
Professor Thiago:
Cronista de seu tempo
Conversa de Botequim
(1935)
Seu garçom, faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo e um copo d'água bem gelada Feche a porta da direita com muito cuidado
Que não estou disposto a ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo e um copo d'água bem gelada Feche a porta da direita com muito cuidado
Que não estou disposto a ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol
Se você ficar limpando a mesa
Não me levanto nem pago a despesa
Vá pedir ao seu patrão
Uma caneta, um tinteiro
Um envelope e um cartão
Não se esqueça de me dar palitos
E um cigarro pra espantar mosquitos
Vá dizer ao charuteiro
Que me empreste umas revistas
Um isqueiro e um cinzeiro
Não me levanto nem pago a despesa
Vá pedir ao seu patrão
Uma caneta, um tinteiro
Um envelope e um cartão
Não se esqueça de me dar palitos
E um cigarro pra espantar mosquitos
Vá dizer ao charuteiro
Que me empreste umas revistas
Um isqueiro e um cinzeiro
Telefone ao menos uma vez
Para três quatro, quatro, três, três, três
E ordene ao seu Osório
Que me mande um guarda-chuva Aqui pro nosso escritório
Seu garçom me empresta algum dinheiro Que eu deixei o meu com o bicheiro
Vá dizer ao seu gerente Que pendure esta despesa No cabide ali em frente.
Para três quatro, quatro, três, três, três
E ordene ao seu Osório
Que me mande um guarda-chuva Aqui pro nosso escritório
Seu garçom me empresta algum dinheiro Que eu deixei o meu com o bicheiro
Vá dizer ao seu gerente Que pendure esta despesa No cabide ali em frente.
Dama do Cabaré(1934)
Foi num cabaré na Lapa
Que eu conheci você Fumando cigarro,
Entornando champanhe no seu soirée
Que eu conheci você Fumando cigarro,
Entornando champanhe no seu soirée
Dançamos um samba,
Trocamos um tango por uma palestra
Só saímos de lá meia hora
Depois de descer a orquestra
Trocamos um tango por uma palestra
Só saímos de lá meia hora
Depois de descer a orquestra
Em frente à porta um bom carro nos esperava
Mas você se despediu e foi pra casa a pé No outro dia lá nos Arcos eu andava À procura da Dama do Cabaré
Mas você se despediu e foi pra casa a pé No outro dia lá nos Arcos eu andava À procura da Dama do Cabaré
Eu não sei bem se chorei no momento em que lia A carta que recebi, não me lembro de quem Você nela me dizia que quem é da boemia
Usa e abusa da diplomacia
Mas não gosta de ninguém.
Usa e abusa da diplomacia
Mas não gosta de ninguém.
Três Apitos(1933)
Quando o apito da fábrica de tecidos
Vem ferir os meus ouvidos
Eu me lembro de você
Mas você anda
Sem dúvida bem zangada
Ou está interessada Em fingir que não me vê
Você que atende ao apito de uma chaminé de barro
Porque não atende ao grito
Tão aflito Da buzina do meu carro Você no inverno
Sem meias vai pro trabalho
Não faz fé no agasalho
Nem no frio você crê
Mas você é mesmo artigo que não se imita Quando a fábrica apita
Faz reclame de você Nos meus olhos você lê Que eu sofro cruelmente
Com ciúmes do gerente
Impertinente
Que dá ordens a você
Sou do sereno poeta muito soturno
Vou virar guarda-noturno
E você sabe porque
Mas você não sabe Que enquanto você faz pano
Faço junto ao piano
Estes versos pra você.
Vem ferir os meus ouvidos
Eu me lembro de você
Mas você anda
Sem dúvida bem zangada
Ou está interessada Em fingir que não me vê
Você que atende ao apito de uma chaminé de barro
Porque não atende ao grito
Tão aflito Da buzina do meu carro Você no inverno
Sem meias vai pro trabalho
Não faz fé no agasalho
Nem no frio você crê
Mas você é mesmo artigo que não se imita Quando a fábrica apita
Faz reclame de você Nos meus olhos você lê Que eu sofro cruelmente
Com ciúmes do gerente
Impertinente
Que dá ordens a você
Sou do sereno poeta muito soturno
Vou virar guarda-noturno
E você sabe porque
Mas você não sabe Que enquanto você faz pano
Faço junto ao piano
Estes versos pra você.
Século do Progresso(1937)
A noite estava estrelada
Quando a roda se formou
A lua veio atrasada
E o samba começou
Quando a roda se formou
A lua veio atrasada
E o samba começou
Um tiro a pouca distância
No espaço forte ecoou
Mas ninguém deu importância
E o samba continuou
No espaço forte ecoou
Mas ninguém deu importância
E o samba continuou
Entretanto ali bem perto
Morria de um tiro certo Um valente muito sério
Professor dos desacatos
Que ensinava aos pacatos
O rumo do cemitério
Morria de um tiro certo Um valente muito sério
Professor dos desacatos
Que ensinava aos pacatos
O rumo do cemitério
Chegou alguém apressado
Naquele samba animado
Que cantando dizia assim: No século do progresso O revólver teve ingresso Pra acabar com a valentia
Naquele samba animado
Que cantando dizia assim: No século do progresso O revólver teve ingresso Pra acabar com a valentia
Um tiro a pouca distância...
Onde Está a Honestidade?(1933)
Você tem palacete reluzente
Tem jóias e criados à vontade
Sem ter nenhuma herança ou parente
Só anda de automóvel na cidade...
Tem jóias e criados à vontade
Sem ter nenhuma herança ou parente
Só anda de automóvel na cidade...
E o povo já pergunta com maldade:
Onde está a honestidade?
Onde está a honestidade?
Onde está a honestidade?
O seu dinheiro nasce de repente
E embora não se saiba se é verdade
Você acha nas ruas diariamente
Anéis, dinheiro e felicidade...
E embora não se saiba se é verdade
Você acha nas ruas diariamente
Anéis, dinheiro e felicidade...
Vassoura dos salões da sociedade
Que varre o que encontrar em sua frente
Promove festivais de caridade
Em nome de qualquer defunto ausente...
O Orvalho Vem Caindo(1933)
Noel Rosa
O orvalho vem caindo, vai molhar o meu chapéu
e também vão sumindo, as estrelas lá do céu
Tenho passado tão mal A minha cama é uma folha de jornal
e também vão sumindo, as estrelas lá do céu
Tenho passado tão mal A minha cama é uma folha de jornal
Meu cortinado é um vasto céu de anil E o meu despertador é o guarda civil
(Que o dinheiro ainda não viu!)
(Que o dinheiro ainda não viu!)
A minha terra dá banana e aipim
Meu trabalho é achar quem descasque por mim (Vivo triste mesmo assim!)
Meu trabalho é achar quem descasque por mim (Vivo triste mesmo assim!)
O orvalho vem caindo, vai molhar o meu chapéu
e também vão sumindo, as estrelas lá do céu
Tenho passado tão mal
A minha cama é uma folha de jornal
e também vão sumindo, as estrelas lá do céu
Tenho passado tão mal
A minha cama é uma folha de jornal
A minha sopa não tem osso e nem tem sal
Se um dia passo bem, dois e três passo mal
Se um dia passo bem, dois e três passo mal
Com Que Roupa?(1929)
Agora vou mudar minha conduta
Eu vou pra luta pois eu quero me aprumar Vou tratar você com a força bruta Pra poder me reabilitar
Eu vou pra luta pois eu quero me aprumar Vou tratar você com a força bruta Pra poder me reabilitar
Pois esta vida não está sopa E eu pergunto: com que roupa?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Agora eu não ando mais fagueiro Pois o dinheiro não é fácil de ganhar
Mesmo eu sendo um cabra trapaceiro
Não consigo ter nem pra gastar
Mesmo eu sendo um cabra trapaceiro
Não consigo ter nem pra gastar
Eu já corri de vento em popa
Mas agora com que roupa?
Mas agora com que roupa?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Eu hoje estou pulando como sapo
Pra ver se escapo desta praga de urubu Já estou coberto de farrapo
Eu vou acabar ficando nu
Pra ver se escapo desta praga de urubu Já estou coberto de farrapo
Eu vou acabar ficando nu
Meu terno já virou estopa
E eu nem sei mais com que roupa
E eu nem sei mais com que roupa
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
São Coisas Nossas(1932)
Queria ser pandeiro
Pra sentir o dia inteiro
A tua mão na minha pele a batucar
Saudade do violão e da palhoça
Pra sentir o dia inteiro
A tua mão na minha pele a batucar
Saudade do violão e da palhoça
Coisa nossa, coisa nossa
O samba, a prontidão
E outras bossas,
E outras bossas,
São nossas coisas,
São coisas nossas!
São coisas nossas!
Malandro que não bebe,
Que não come,
Que não abandona o samba Pois o samba mata a fome,
Morena bem bonita lá da roça, Coisa nossa, coisa nossa
Que não come,
Que não abandona o samba Pois o samba mata a fome,
Morena bem bonita lá da roça, Coisa nossa, coisa nossa
O samba, a prontidão
E outras bossas,
E outras bossas,
São nossas coisas,
São coisas nossas!
São coisas nossas!
Baleiro, jornaleiro
Motorneiro, condutor e passageiro,
Prestamista e o vigarista
E o bonde que parece uma carroça,
Coisa nossa, muito nossa
Motorneiro, condutor e passageiro,
Prestamista e o vigarista
E o bonde que parece uma carroça,
Coisa nossa, muito nossa
O samba, a prontidão
E outras bossas,
E outras bossas,
São nossas coisas,
São coisas nossas!
São coisas nossas!
Menina que namora
Na esquina e no portão
Rapaz casado com dez filhos, sem tostão,
Se o pai descobre o truque dá uma coça Coisa nossa, muito nossa
Na esquina e no portão
Rapaz casado com dez filhos, sem tostão,
Se o pai descobre o truque dá uma coça Coisa nossa, muito nossa
O samba, a prontidão
E outras bossas,
E outras bossas,
São nossas coisas,
São coisas nossas!
São coisas nossas!
Feitiço da Vila
Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila Ao abraçar o samba
Que faz dançar os galhos,
Do arvoredo e faz a lua,
Nascer mais cedo.
Nem sequer vacila Ao abraçar o samba
Que faz dançar os galhos,
Do arvoredo e faz a lua,
Nascer mais cedo.
Lá, em Vila Isabel, Quem é bacharel
Não tem medo de bamba.
São Paulo dá café,
Minas dá leite,
E a Vila Isabel dá samba.
Não tem medo de bamba.
São Paulo dá café,
Minas dá leite,
E a Vila Isabel dá samba.
A vila tem um feitiço sem farofa
Sem vela e sem vintém
Que nos faz bem Tendo nome de princesa
Transformou o samba
Num feitiço descente Que prende a gente
Sem vela e sem vintém
Que nos faz bem Tendo nome de princesa
Transformou o samba
Num feitiço descente Que prende a gente
O sol da Vila é triste
Samba não assiste Porque a gente implora: "Sol, pelo amor de Deus,
não vem agora
que as morenas
vão logo embora”
Samba não assiste Porque a gente implora: "Sol, pelo amor de Deus,
não vem agora
que as morenas
vão logo embora”
Eu sei tudo o que faço
sei por onde passo
paixão não me aniquila
Mas, tenho que dizer,
modéstia à parte,
meus senhores,
Eu sou da Vila!
sei por onde passo
paixão não me aniquila
Mas, tenho que dizer,
modéstia à parte,
meus senhores,
Eu sou da Vila!
Não Tem Tradução
O cinema falado é o grande culpado da transformação
Dessa gente que sente que um barracão prende mais que o xadrez
Lá no morro, seu eu fizer uma falseta
A Risoleta desiste logo do francês e do Inglês
A gíria que o nosso morro criou
Bem cedo a cidade aceitou e usou
Mais tarde o malandro deixou de sambar, dando pinote
Na gafieira dançar o Fox-Trote
Essa gente hoje em dia que tem a mania da exibição
Não entende que o samba não tem tradução no idioma francês
Tudo aquilo que o malandro pronuncia
Com voz macia é brasileiro, já passou de português
Amor lá no morro é amor pra chuchu
As rimas do samba não são I love you
E esse negócio de alô, alô boy e alô Johnny
Só pode ser conversa de telefone..
Dessa gente que sente que um barracão prende mais que o xadrez
Lá no morro, seu eu fizer uma falseta
A Risoleta desiste logo do francês e do Inglês
A gíria que o nosso morro criou
Bem cedo a cidade aceitou e usou
Mais tarde o malandro deixou de sambar, dando pinote
Na gafieira dançar o Fox-Trote
Essa gente hoje em dia que tem a mania da exibição
Não entende que o samba não tem tradução no idioma francês
Tudo aquilo que o malandro pronuncia
Com voz macia é brasileiro, já passou de português
Amor lá no morro é amor pra chuchu
As rimas do samba não são I love you
E esse negócio de alô, alô boy e alô Johnny
Só pode ser conversa de telefone..
Noel Rosa e a Filosofia como instrumento para a vida: repensando a prática e a teoria.
Professor Gustavo Custódio
De 1910 até 1937.
“A Felicidade é uma porta que sempre abre para fora, quem tenta - lá abrir para dentro ela trava” Soren Kierkegaard.
Prática e Teoria em Noel.
Detalhes de uma vida: Nascido por forcepis que deformou seu queixo, morreu aos braços de Lindalva, sua mulher. Durante sua vida viveu, amor, brigou, lutou, abriu mão de sonhos e se entregou a si mesmo. Ironicamente compôs muito movido por uma dívida com Francisco Alves, fruto da venda de um carro. O seu recanto predileto do rio era a Lapa recanto boêmio. Mas não morreu sem antes morar em Belo Horizonte e assim tentar um tratamento a Tuberculose. Assim como disse Protágoras e o adaptando a Noel – O homem é a medida “e a desmedida” de todas as coisas.
Prática e Teoria em Noel.
Música: Quem da mais?
“Quem dá mais por um violão que toca em falsete
Que só não tem braço, fundo e cavalete
Pertenceu a Dom Pedro, morou no palácio
Foi posto no prego por José Bonifácio?
Vinte mil réis, vinte e um e quinhentos, cinqüenta mil réis!”
Que só não tem braço, fundo e cavalete
Pertenceu a Dom Pedro, morou no palácio
Foi posto no prego por José Bonifácio?
Vinte mil réis, vinte e um e quinhentos, cinqüenta mil réis!”
Prática e Teoria em Noel.
Música: Quem da mais?
1. Noel utiliza elementos da música (prática) para fazer uma relação com a história do Brasil.
2. Para Noel todos os eventos deveriam ser contextualizados.
3. A Práxis de Noel é uma prática que parte do questionamento.
Prática e Teoria em Noel.
Música: Quem da mais?
4. A Teoria de Noel é um fundamento para qualquer forma de ver o mundo, sem a qual veríamos o mundo com óculos e grau diferente de nossas necessidades.
5. A Teoria então não seria somente pragmática como também pavimentadora de um processo educacional.
Prática e Teoria em Noel.
- Você tem palacete reluzente Tem jóias e criados à vontade Sem ter nenhuma herança ou parente Só anda de automóvel na cidade...
- E o povo já pergunta com maldade: Onde está a honestidade? Onde está a honestidade?
- O seu dinheiro nasce de repente E embora não se saiba se é verdade Você acha nas ruas diariamente Anéis, dinheiro e felicidade... ... (Onde esta a honestidade?)
Prática e Teoria em Noel.
- Noel trabalha o conceito de felicidade.
- Apesar de boêmio ele não aceitava a felicidade a qualquer custo.
- Não sendo um moralista ele questiona a riqueza fruto da exploração dos donativos entregues para o socorro do outro.
- Há relação entre o ser e o ter que nem sempre da sentido positivo.
- Ele relativiza o ter para alem dos bens, para Noel homem de bem é diferente de homem de bens.
Noel Rosa Influenciou:
- Com uma forma positiva de ver a vida.
- Nunca foi dado a um comportamento moderado e sim a vida intensa.
- Valorizava a amizade, principalmente a de Cartola.
- Influenciou o Rio da década de 50 na voz de sua interprete preferida – Aracy de Almeida.
“Noel apenas viveu a vida que quis viver” Dr. José Rodrigues da Graça Melo – médico que trouxe Noel ao mundo.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
III CAFÉ CULTURAL: VINÍCIUS DE MORAES 100 ANOS DE POESIA (SETEMBRO DE 2013)
Grande poeta da segunda fase do modernismo (1930 - 1945). Ele será o nosso tema para o café cultural, com temática multidisciplinar. As músicas de Vinícius expressa: amor, paixão, crítica social, reflexão sobre o homem, sobre o estado e diversas facetas da vida. Foi diplomada e crítico de cinema, formado em direito e letras. Na sua fase existencialista ele fala sobre a religião, angustia e vontade. Compõe para os oprimidos e demonstra-se preocupado com os conflitos sociais.
Observe o poema: Operário em Construção.
Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
(…)
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, Cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.
Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
(…)
documentário sobre Vinícius de Moraes.
Observe o poema: Operário em Construção.
Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
(…)
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, Cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.
Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
(…)
Gustavo Custódio
Odilon: O discurso Cientifico da Eugênia nas elites brasileira nas primeiras décadas do século XX.
Definição
- Eugenia é um termo criado em 1883 por Francis Galton (1822-1911), significando "bem nascido". Galton definiu eugenia como oestudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ouempobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja físicaou mentalmente
No imaginário das elites...
- O termo Eugenia é um símbolo d
a modernidade cultural, assimi lada como conhecimento cientif ico que expressava o que havia de mais atualizado na ciência moderna. - .No imaginário das elites significava Evolução, progresso ecivilização
O auto-retrato do país
- Thomas Buckle: território vazi
o e pernicioso à saúde - Gobineau e Agassiz: Os brasileiros são assustadoramente feios edegenerados.
- A conjunção de fatores climáticos e a larga miscigenação eramobilizada para explicar a suposta inferioridade do homembrasileiro e a impossibilidade de o Brasil acessar os valores do “mundo civilizado”
As condições reais
- População negra e totalmente m
iscigenada totalmente desampar ada do estado, dominado pelos interesses das oligarquias reg ionais, juntamente com a popul ação indígena e sertaneja que habitava o interior do Brasil não eram reconhecidos como cid adãos ou parte integrante da n ação
- O crescimento dos centros urba
nos e a industrialização, espe cialmente no Rio de Janeiro e São Paulo colaboravam para aum entar os problemas sanitários e o temor de novas epidemias c omo a febre amarela, a peste b ubônica , a tuberculose a a va ríola
- O clima e a raça eram explicaç
ões para a natureza indolente do brasileiro, uma elite intel ectual insegura e pequena , o lirismo quente dos poetas da t erra , o nervosismo e a sexual idade desenfreada do mulato. - A partir de 1910 estas teorias foram substituídas por explicaçõesde caráter histórico e sociológico sobre a realidade nacional
- O discurso acerca de um tipo i
nferior e inapto para desenvol ver a civilização passa agora para a população, na condição de vítima, criminosamente aban donado à própria sorte, sem sa úde e educação
O movimento eugênico brasileiro
- 1913- Salvador- Alfredo Ferrei
ra de Magalhães: “ A educação moral seria um meio eficiente de impedir a propagação de div ersos vícios e males sociais c omo o alcoolismo, a prostituiç ão e as doenças venéreas, resp onsáveis pela degeneração físi ca e moral da raça”
- 1914- Rio de Janeiro- Alexandr
e Tepedinho: “ Os governos tem obrigação de zelar pelo futur o da raça, pela qualidade dos homens, pela saúde da populaçã o. O legislador não pode ignor ar os fenômenos biológicos da hereditariedade. A eugenia é a religião nova que dirige os d estinos da raça humana, de mod o a torná-la mais bela, mais m oralizada e mais inteligente
Medidas propostas:
- Renato Kehl:
Criação de uma repartição federal eugênica que fizesse o amplo controle matrimonial , especialmente daqueles de classe social mais baixa; a segregação de loucos e idiotas e portadores de males hereditários; Criar leis restritivas que impeçam casamentos entre inaptos para uma boa geração
- A medicina, a higiene e a euge
nia passavam a ser apropriadas como um conjunto de ferrament as salvacionistas como prática s cientificas essenciais no pr ocesso de reforma social e da construção de uma nova naciona lidade. - Outros controles eram propostos como a esterilização dos degenerados ecriminosos, para que se alcance uma sociedade normatizada
- Aqueles médicos ligados à medi
cina legal: - O problema do crime e da responsabilidade ficam intimamente ligados asquestões raciais e eugênicas
- Era necessário reeducar os hábitos sociais e os comportamentos morais,regras de higiene familiar e a regulamentação do tabaco e do álcool, alem docontrole da prostituição e da criminalidade.
O habitat brasileiro
- O meio diferenciaria os indiví
duos, a sua compleição física , o gênio e o caráter dos povo s, criando uma nova raça. O ca ldo de cultura ajuntar-se-ia a o soro sanguíneo dos indivíduo s. Os principais males serão d ebelados pelo trabalho da ciên cia , através da eugenia, auxi liando para elevar o progresso e a civilização
- Os venenos raciais seriam a sí
filis e a tuberculose. O médic o Amadeu Amaral (1913) lamenta va “ o grande número de crianç as mal-geradas que vinham ao m undo com toda uma sementeira d e atrocidade: cegueira, surdez , chagas, ataques, paralisia, alucinações, angustias e vício s sociais, que desmoralizavam a vida da família, da sua desc endência e da sociedade e a pr esença de taras e heranças mór bidas
- A sífilis criaria crianças def
ormes e cegas, idiotas ou para liticas. São indivíduos psicol ogicamente anormais, inadaptáv eis ao meio em que vivem, são tarados incuráveis que levam a vida inteira improdutiva , sã o inconscientes ou meio consci entes que representam um preju ízo e um perigo social.
- O negro no Brasil: antes tido
como uma população forte e sau dável, estaria ela agora tirad a em todos os vícios e paixões . - O fim da escravidão deixou esta raça sem assistência e esta seria a causa dadecadência e do esfacelamento desta raça.
- Rubião Meira ( 1918) acreditava que a raça negra tenderia a desaparecer pormiscigenação formando uma nova alma no povo.
- Para a elite brasileira a mist
ura racial não degeneraria a p opulação nacional, mas seria r esponsável por uma nova identi dade. - O Brasil seria um grande laboratório onde se operaria ummetabolismo racial que tenderia a assimilar algumas raças edesassimilar outras, como negros e índios, que seriam raçasinferiores.
- Bernardo Magalhães ( 1920)A as
similação de novas raças no Br asil teria de ser feito de man eira cuidadosa: os elementos q ue emigravam para o Brasil dev eriam passar por uma seleção. Alguns deveriam ser rejeitados , como por exemplo os japonese s, cujas características jamai s contribuiriam a formação da sociedade brasileira.
E na música ????
- “Lá pela década de 1920, bastava andar com o violão na rua e você já ia preso, pois era considerado vagabundo. Ismael Silva passou um tempo na cadeia e João Baiana foi preso várias vezes por estar andando com seu pandeiro”.
- Para fugir desse estigma, a ch
amada primeira geração de samb istas, dos anos 1910, nasceu c omportada, e com a preocupação de burilar sua música. Chorõe s como Donga, Sinhô e Pixingui nha lançaram mão de instrument os de corda e de sopro para em oldurar composições tecnicamen te elaboradas. “Eles são fruto dessa repressão e, por isso, querem construir a imagem do s ambista separada da do vagabun do”
- Na década seguinte, porém, a n
ova geração troca os salões pe los botecos ao pé dos morros. Ali, quem dita o ritmo são a c uíca, o pandeiro e o tamborim. E o violão, quando aparece, s egue a intuição do “músico”, s em maiores técnicas. “Essa ger ação já assume a malandragem c omo idéia de individualidade. O samba passa a ser portador d a história da exclusão social”
- Isso fica claro não só pelo co
mportamento dos sambistas, que regavam as rodas com cerveja e jogatina, como pelas letras das canções. Repudiada pela el ite, a malandragem é incorpora da nas músicas, que a tratam c om ironia e deboche. O samba s e assume como filho do morro. - Com a chegada do rádio, o ritmo começa a quebrar as fronteiras da periferia. Com o projeto nacionalistade Getúlio Vargas, incorporando as manifestações populares do país, o ritmo entra definitivamente para oimaginário nacional. Sua inclusão é facilitada no fim dos anos 20 pelas gravações de sambistas como NoelRosa e Francisco Alves, brancos e de classe média. “Mesmo vistos como boêmios, não era a mesmacoisa de um negro”.
- À época, os novos homens livres padeciam dos preconceitos que acompanhavam a recente libertação dos escravos. Com dificuldade de se inserir na sociedade, eles eram vistos com pudor pelas elites. E o próprio estado lhes torcia o nariz. “As leis mencionavam palavras como vadiagem. Qualquer indivíduo sem trabalho era considerado perigoso, e o samba começa a ser visto como negação do trabalho”
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