Definição
- Eugenia é um termo criado em 1883 por Francis Galton (1822-1911), significando "bem nascido". Galton definiu eugenia como oestudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ouempobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja físicaou mentalmente
No imaginário das elites...
- O termo Eugenia é um símbolo d
a modernidade cultural, assimi lada como conhecimento cientif ico que expressava o que havia de mais atualizado na ciência moderna. - .No imaginário das elites significava Evolução, progresso ecivilização
O auto-retrato do país
- Thomas Buckle: território vazi
o e pernicioso à saúde - Gobineau e Agassiz: Os brasileiros são assustadoramente feios edegenerados.
- A conjunção de fatores climáticos e a larga miscigenação eramobilizada para explicar a suposta inferioridade do homembrasileiro e a impossibilidade de o Brasil acessar os valores do “mundo civilizado”
As condições reais
- População negra e totalmente m
iscigenada totalmente desampar ada do estado, dominado pelos interesses das oligarquias reg ionais, juntamente com a popul ação indígena e sertaneja que habitava o interior do Brasil não eram reconhecidos como cid adãos ou parte integrante da n ação
- O crescimento dos centros urba
nos e a industrialização, espe cialmente no Rio de Janeiro e São Paulo colaboravam para aum entar os problemas sanitários e o temor de novas epidemias c omo a febre amarela, a peste b ubônica , a tuberculose a a va ríola
- O clima e a raça eram explicaç
ões para a natureza indolente do brasileiro, uma elite intel ectual insegura e pequena , o lirismo quente dos poetas da t erra , o nervosismo e a sexual idade desenfreada do mulato. - A partir de 1910 estas teorias foram substituídas por explicaçõesde caráter histórico e sociológico sobre a realidade nacional
- O discurso acerca de um tipo i
nferior e inapto para desenvol ver a civilização passa agora para a população, na condição de vítima, criminosamente aban donado à própria sorte, sem sa úde e educação
O movimento eugênico brasileiro
- 1913- Salvador- Alfredo Ferrei
ra de Magalhães: “ A educação moral seria um meio eficiente de impedir a propagação de div ersos vícios e males sociais c omo o alcoolismo, a prostituiç ão e as doenças venéreas, resp onsáveis pela degeneração físi ca e moral da raça”
- 1914- Rio de Janeiro- Alexandr
e Tepedinho: “ Os governos tem obrigação de zelar pelo futur o da raça, pela qualidade dos homens, pela saúde da populaçã o. O legislador não pode ignor ar os fenômenos biológicos da hereditariedade. A eugenia é a religião nova que dirige os d estinos da raça humana, de mod o a torná-la mais bela, mais m oralizada e mais inteligente
Medidas propostas:
- Renato Kehl:
Criação de uma repartição federal eugênica que fizesse o amplo controle matrimonial , especialmente daqueles de classe social mais baixa; a segregação de loucos e idiotas e portadores de males hereditários; Criar leis restritivas que impeçam casamentos entre inaptos para uma boa geração
- A medicina, a higiene e a euge
nia passavam a ser apropriadas como um conjunto de ferrament as salvacionistas como prática s cientificas essenciais no pr ocesso de reforma social e da construção de uma nova naciona lidade. - Outros controles eram propostos como a esterilização dos degenerados ecriminosos, para que se alcance uma sociedade normatizada
- Aqueles médicos ligados à medi
cina legal: - O problema do crime e da responsabilidade ficam intimamente ligados asquestões raciais e eugênicas
- Era necessário reeducar os hábitos sociais e os comportamentos morais,regras de higiene familiar e a regulamentação do tabaco e do álcool, alem docontrole da prostituição e da criminalidade.
O habitat brasileiro
- O meio diferenciaria os indiví
duos, a sua compleição física , o gênio e o caráter dos povo s, criando uma nova raça. O ca ldo de cultura ajuntar-se-ia a o soro sanguíneo dos indivíduo s. Os principais males serão d ebelados pelo trabalho da ciên cia , através da eugenia, auxi liando para elevar o progresso e a civilização
- Os venenos raciais seriam a sí
filis e a tuberculose. O médic o Amadeu Amaral (1913) lamenta va “ o grande número de crianç as mal-geradas que vinham ao m undo com toda uma sementeira d e atrocidade: cegueira, surdez , chagas, ataques, paralisia, alucinações, angustias e vício s sociais, que desmoralizavam a vida da família, da sua desc endência e da sociedade e a pr esença de taras e heranças mór bidas
- A sífilis criaria crianças def
ormes e cegas, idiotas ou para liticas. São indivíduos psicol ogicamente anormais, inadaptáv eis ao meio em que vivem, são tarados incuráveis que levam a vida inteira improdutiva , sã o inconscientes ou meio consci entes que representam um preju ízo e um perigo social.
- O negro no Brasil: antes tido
como uma população forte e sau dável, estaria ela agora tirad a em todos os vícios e paixões . - O fim da escravidão deixou esta raça sem assistência e esta seria a causa dadecadência e do esfacelamento desta raça.
- Rubião Meira ( 1918) acreditava que a raça negra tenderia a desaparecer pormiscigenação formando uma nova alma no povo.
- Para a elite brasileira a mist
ura racial não degeneraria a p opulação nacional, mas seria r esponsável por uma nova identi dade. - O Brasil seria um grande laboratório onde se operaria ummetabolismo racial que tenderia a assimilar algumas raças edesassimilar outras, como negros e índios, que seriam raçasinferiores.
- Bernardo Magalhães ( 1920)A as
similação de novas raças no Br asil teria de ser feito de man eira cuidadosa: os elementos q ue emigravam para o Brasil dev eriam passar por uma seleção. Alguns deveriam ser rejeitados , como por exemplo os japonese s, cujas características jamai s contribuiriam a formação da sociedade brasileira.
E na música ????
- “Lá pela década de 1920, bastava andar com o violão na rua e você já ia preso, pois era considerado vagabundo. Ismael Silva passou um tempo na cadeia e João Baiana foi preso várias vezes por estar andando com seu pandeiro”.
- Para fugir desse estigma, a ch
amada primeira geração de samb istas, dos anos 1910, nasceu c omportada, e com a preocupação de burilar sua música. Chorõe s como Donga, Sinhô e Pixingui nha lançaram mão de instrument os de corda e de sopro para em oldurar composições tecnicamen te elaboradas. “Eles são fruto dessa repressão e, por isso, querem construir a imagem do s ambista separada da do vagabun do”
- Na década seguinte, porém, a n
ova geração troca os salões pe los botecos ao pé dos morros. Ali, quem dita o ritmo são a c uíca, o pandeiro e o tamborim. E o violão, quando aparece, s egue a intuição do “músico”, s em maiores técnicas. “Essa ger ação já assume a malandragem c omo idéia de individualidade. O samba passa a ser portador d a história da exclusão social”
- Isso fica claro não só pelo co
mportamento dos sambistas, que regavam as rodas com cerveja e jogatina, como pelas letras das canções. Repudiada pela el ite, a malandragem é incorpora da nas músicas, que a tratam c om ironia e deboche. O samba s e assume como filho do morro. - Com a chegada do rádio, o ritmo começa a quebrar as fronteiras da periferia. Com o projeto nacionalistade Getúlio Vargas, incorporando as manifestações populares do país, o ritmo entra definitivamente para oimaginário nacional. Sua inclusão é facilitada no fim dos anos 20 pelas gravações de sambistas como NoelRosa e Francisco Alves, brancos e de classe média. “Mesmo vistos como boêmios, não era a mesmacoisa de um negro”.
- À época, os novos homens livres padeciam dos preconceitos que acompanhavam a recente libertação dos escravos. Com dificuldade de se inserir na sociedade, eles eram vistos com pudor pelas elites. E o próprio estado lhes torcia o nariz. “As leis mencionavam palavras como vadiagem. Qualquer indivíduo sem trabalho era considerado perigoso, e o samba começa a ser visto como negação do trabalho”
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