quinta-feira, 20 de junho de 2013

Odilon: O discurso Cientifico da Eugênia nas elites brasileira nas primeiras décadas do século XX.

Definição


  • Eugenia é um termo criado em 1883 por Francis Galton (1822-1911), significando "bem nascido". Galton definiu eugenia como oestudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ouempobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja físicaou mentalmente
No imaginário das elites...


  • O termo Eugenia é um símbolo da modernidade cultural, assimilada como conhecimento cientifico que expressava o que havia de mais atualizado na ciência moderna.
  • .No imaginário das elites significava Evolução, progresso ecivilização



O auto-retrato do país


  • Thomas Buckle: território vazio e pernicioso à saúde
  • Gobineau e Agassiz: Os brasileiros são assustadoramente feios edegenerados.
  • A conjunção de fatores climáticos e a larga miscigenação eramobilizada para explicar a suposta inferioridade do homembrasileiro e a impossibilidade de o Brasil acessar os valores do mundo civilizado
As condições reais


  • População negra e totalmente miscigenada totalmente desamparada do estado, dominado pelos interesses das oligarquias regionais, juntamente com a população indígena e sertaneja que habitava o interior do Brasil não eram reconhecidos como cidadãos ou parte integrante da nação
  • O crescimento dos centros urbanos e a industrialização, especialmente no Rio de Janeiro e São Paulo colaboravam para aumentar os problemas sanitários e o temor de novas epidemias como a febre amarela, a peste bubônica , a tuberculose a a varíola


  • O clima e a raça eram explicações para a natureza indolente do brasileiro, uma elite intelectual insegura e pequena , o lirismo quente dos poetas da terra , o nervosismo e a sexualidade desenfreada do mulato.
  • A partir de 1910 estas teorias foram substituídas por explicaçõesde caráter histórico e sociológico sobre a realidade nacional
  • O discurso acerca de um tipo inferior e inapto para desenvolver a civilização passa agora para a população, na condição de vítima, criminosamente abandonado à própria sorte, sem saúde e educação
O movimento eugênico brasileiro


  • 1913- Salvador- Alfredo Ferreira de Magalhães:  A educação moral seria um meio eficiente de impedir a propagação de diversos vícios e males sociais como o alcoolismo, a prostituição e as doenças venéreas, responsáveis pela degeneração física e moral da raça
  • 1914- Rio de Janeiro- Alexandre Tepedinho:  Os governos tem obrigação de zelar pelo futuro da raça, pela qualidade dos homens, pela saúde da população. O legislador não pode ignorar os fenômenos biológicos da hereditariedade. A eugenia é a religião nova que dirige os destinos da raça humana, de modo a torná-la mais bela, mais moralizada e mais inteligente
Medidas propostas:


  • Renato Kehl:
 Criação de uma repartição federal eugênica que fizesse o amplo controle matrimonial , especialmente daqueles de classe social mais baixa; a segregação de loucos e idiotas e portadores de males hereditários; Criar leis restritivas que impeçam casamentos entre inaptos para uma boa geração
  • A medicina, a higiene e a eugenia passavam a ser apropriadas como um conjunto de ferramentas salvacionistas como práticas cientificas essenciais no processo de reforma social e da construção de uma nova nacionalidade.
  • Outros controles eram propostos como a esterilização dos degenerados ecriminosos, para que se alcance uma sociedade normatizada
  • Aqueles médicos ligados à medicina legal:
  • O problema do crime e da responsabilidade ficam intimamente ligados asquestões raciais e eugênicas
  • Era necessário reeducar os hábitos sociais e os comportamentos morais,regras de higiene familiar e a regulamentação do tabaco e do álcool, alem docontrole da prostituição e da criminalidade.
O habitat brasileiro


  • O meio diferenciaria os indivíduos, a sua compleição física , o gênio e o caráter dos povos, criando uma nova raça. O caldo de cultura ajuntar-se-ia ao soro sanguíneo dos indivíduos. Os principais males serão debelados pelo trabalho da ciência , através da eugenia, auxiliando para elevar o progresso e a civilização
  • Os venenos raciais seriam a sífilis e a tuberculose. O médico Amadeu Amaral (1913) lamentava  o grande número de crianças mal-geradas que vinham ao mundo com toda uma sementeira de atrocidade: cegueira, surdez, chagas, ataques, paralisia, alucinações, angustias e vícios sociais, que desmoralizavam a vida da família, da sua descendência e da sociedade e a presença de taras e heranças mórbidas
  • A sífilis criaria crianças deformes e cegas, idiotas ou paraliticas. São indivíduos psicologicamente anormais, inadaptáveis ao meio em que vivem, são tarados incuráveis que levam a vida inteira improdutiva , são inconscientes ou meio conscientes que representam um prejuízo e um perigo social.
  • O negro no Brasil: antes tido como uma população forte e saudável, estaria ela agora tirada em todos os vícios e paixões.
  • O fim da escravidão deixou esta raça sem assistência e esta seria a causa dadecadência e do esfacelamento desta raça.
  • Rubião Meira ( 1918) acreditava que a raça negra tenderia a desaparecer pormiscigenação formando uma nova alma no povo.
  • Para a elite brasileira a mistura racial não degeneraria a população nacional, mas seria responsável por uma nova identidade.
  • O Brasil seria um grande laboratório onde se operaria ummetabolismo racial que tenderia a assimilar algumas raças edesassimilar outras, como negros e índios, que seriam raçasinferiores.
  • Bernardo Magalhães ( 1920)A assimilação de novas raças no Brasil teria de ser feito de maneira cuidadosa: os elementos que emigravam para o Brasil deveriam passar por uma seleção. Alguns deveriam ser rejeitados, como por exemplo os japoneses, cujas características jamais contribuiriam a formação da sociedade brasileira.
E na música ????


  • Lá pela década de 1920, bastava andar com o violão na rua e você já ia preso, pois era considerado vagabundo. Ismael Silva passou um tempo na cadeia e João Baiana foi preso várias vezes por estar andando com seu pandeiro.
  • Para fugir desse estigma, a chamada primeira geração de sambistas, dos anos 1910, nasceu comportada, e com a preocupação de burilar sua música. Chorões como Donga, Sinhô e Pixinguinha lançaram mão de instrumentos de corda e de sopro para emoldurar composições tecnicamente elaboradas. Eles são fruto dessa repressão e, por isso, querem construir a imagem do sambista separada da do vagabundo 
  • Na década seguinte, porém, a nova geração troca os salões pelos botecos ao pé dos morros. Ali, quem dita o ritmo são a cuíca, o pandeiro e o tamborim. E o violão, quando aparece, segue a intuição do músico, sem maiores técnicas. Essa geração já assume a malandragem como idéia de individualidade. O samba passa a ser portador da história da exclusão social 
  • Isso fica claro não só pelo comportamento dos sambistas, que regavam as rodas com cerveja e jogatina, como pelas letras das canções. Repudiada pela elite, a malandragem é incorporada nas músicas, que a tratam com ironia e deboche. O samba se assume como filho do morro.
  • Com a chegada do rádio, o ritmo começa a quebrar as fronteiras da periferia. Com o projeto nacionalistade Getúlio Vargas, incorporando as manifestações populares do país, o ritmo entra definitivamente para oimaginário nacional. Sua inclusão é facilitada no fim dos anos 20 pelas gravações de sambistas como NoelRosa e Francisco Alves, brancos e de classe média. Mesmo vistos como boêmios, não era a mesmacoisa de um negro.
  • À época, os novos homens livres padeciam dos preconceitos que acompanhavam a recente libertação dos escravos. Com dificuldade de se inserir na sociedade, eles eram vistos com pudor pelas elites. E o próprio estado lhes torcia o nariz. As leis mencionavam palavras como vadiagem. Qualquer indivíduo sem trabalho era considerado perigoso, e o samba começa a ser visto como negação do trabalho

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