quinta-feira, 20 de junho de 2013

Noel Rosa e a Filosofia. Valéria Bahia.

O Cantor, a pessoa e sua época;
  • Visões Filosóficas;
  • Principais Sucessos;
  • Reflexão;



Noel...
Noel de Medeiros Rosa, cantor, compositor, bandolinista e violonista, extremamente crítico para o seu tempo, nasce no Rio de Janeiro em  11/12/1910 , morre aos 26 anos em 04/05/1937.

Proveniente de uma família de classe média baixa, Noel carregaria pelo resto de sua vida as marcas de um parto forçado que lhe causara fratura de mandíbula, além de ligeira paralisia facial no lado direito do rosto.


Vive os conflitos e as influências do século XIX,  ou seja, do      Período Moderno, das Grandes Guerras Mundiais, do Cientificismo, do Mecanicismo, do Capitalismo.


Segundo ele, a temperatura fria da cerveja “paralisava os micróbios”, livrando-o da tosse. Com isso, ia ludibriando os amigos e a si mesmoNoel é na verdade um filósofo de boteco, que trás as vivências de classes desfavorecidas  para a elite carioca.

Apaixonado pela boemia, possuía uma veia cômica e irônica ressaltando a crônica da vida carioca; iniciou o curso de  medicina, mas sua veia artística falou mais alto; sofria de problemas crônicos que deixaram sequelas em seus pulmões  e criou um mito sobre a bebida.
FILOSOFIA
                                                                  Noel Rosa

O mundo me condena, e ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome
Mas a filosofia hoje me auxilia
A viver indiferente assim
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim
Não me incomodo que você me diga
Que a sociedade é minha inimiga
Pois cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba, muito embora vagabundo
Quanto a você da aristocracia
Que tem dinheiro, mas não compra alegria
Há de viver eternamente sendo escrava dessa gente
Que cultiva a hipocrisia ...

A música “Filosofia”, mostra um homem “irreverente" que diz que o mundo o condena e fala mal dele e que a única forma que achou para se manter alheio a essa situação foi filosofando. E que mesmo sendo de classe humilde, é escravo do samba que o deixa feliz enquanto que a burguesia há de ser escrava de hipocrisia.
Filósofos:Platão  – Aristóteles  - Kant  - descartes  - Karl JasperS – Marleau- Ponty.
Visão filosófica



Em analise, podemos inferir a visão de seis grandes filósofos importantíssimos de épocas distintas com pensamentos digamos interligados:

Platão expõe que a Filosofia nasce do espanto,  da admiração,  e é essa, a fonte primordial da dúvida; Esse espanto, essa admiração são causados de forma natural no sujeito.

Aristóteles, em síntese, mostra que os homens estão sempre em busca da sabedoria e que quando começam a filosofar, se deparam com a dúvida deixando-os perplexos diante das dificuldades; com o passar do tempo, pelo discernimento, enfrentarão com mais clareza as adversidades que encontrarão pelo caminho. 
  
Descartes intitula em "A Dúvida" que nós precisamos desconfiar de tudo que pode nos causar algum tipo de dúvida e que fatos antes colocados culturalmente como verdade absoluta, podem se tornar falsas verdades, e que é necessário descartarmos tudo aquilo que é passível de dúvida.

Kant analisa num primeiro momento, que aprender a filosofar só é possível quando exercitamos a razão, fazendo-a seguir os princípios universais. Porém a razão, deve investigar os princípios para confirmar ou rejeitá-los. Ela  não deve tomar nada emprestado da autoridade alheia e sim construir seu próprio conhecimento. Em “A Indolência”, considera em suma que os homens escolheram seguir o conhecimento do outro em vez de construir o seu próprio entendimento, por isso diz que está na hora dos povos se tornarem adultos e deixarem a tutela de outrem para seguir sua vida com autonomia e sabedoria. Esses homens não passam de meras cópias que construíram um mundo monótono criando suas próprias verdades e tornando-se donos de seu próprio mundo. Sendo assim, Kant conclui refletindo que a juventude não se mantenha, ou vise a imitar o próximo, mas  que ela busque sua autonomia procurando sempre o seu próprio entendimento.

Karl Jaspers analisa que a filosofia se encaixa no mundo de forma embaraçosa; por mais que se posicione com ares de respeito, tem sido desprezada e caracterizada de não possuir utilidade. A filosofia almeja verdade, porém em nossa sociedade é mais fácil viver sobre falsas ilusões do que realmente refletirmos sobre questões que realmente importam, pois se em nossa sociedade começarmos a filosofar e entender a importância dessa disciplina, teríamos de alterar definitivamente o nosso modo de pensar e agir, isso no entanto, causaria um reboliço; sendo assim, podemos exemplificar: a maioria dos políticos tem seu trabalho facilitado: É muito mais fácil controlar o povo quando este não pensa e apenas trabalha como uma máquina vivendo um cientificismo, um mecanicismo.  Nada contra os grandes governantes, ou os grandes cientistas, como cita Rubem  Alves que tudo pode se tornar um Mito, mas as pessoas “acham” que a filosofia é inimiga e desorganizadora dos padrões sociais e  estão equivocadas, pelo contrário, ela visa e prioriza a organização desses padrões  sociais. 
Maurice Merleau-Ponty, mostra que a filosofia tem  lá seus probleminhas. A filosofia habita a história - faz parte da história, mesmo que contrarie todas as expectativas do cientificismo  desde a Modernidade até a Contemporaneidade – Analisa que o papel do filósofo é dar uma atenção aguçada ao homem “sério” e que este desperta dúvida no homem que fica entre paradoxos, ou seja, que vive entre disparates e absurdos nesse mundo mecanicista.
Adeus, Noel rosa , Ismael Silva e Francisco Alves, 1931
A.E.I.O.U.,Noel Rosa e Lamartine Babo, 1931
Até amanhã, Noel rosa , 1932
Cem mil réis, Noel rosa e Vadico, 1936
Com que roupa?, Noel rosa , 1929
Conversa de botequim, Noel rosa e Vadico, 1935
Coração, Noel rosa , 1932
Cor de cinza, Noel rosa , 1933
Dama do cabaré, Noel rosa , 1934
De babado, Noel rosa e João Mina, 1936
É bom parar, Noel rosa e Rubens Soares, 1936
Feitiço da Vila, Noel rosa e Vadico, 1936
Feitio de oração, Noel rosa e Vadico, 1933
Filosofia, Noel rosa e André Filho, 1933
Fita amarela, Noel rosa , 1932
Gago apaixonado, Noel rosa , 1930
João Ninguém, Noel rosa , 1935

Principais  Sucessos:
Minha viola, Noel rosa , 1929
Não tem tradução, Noel rosa , 1933
O orvalho vem caindo, Noel rosa e Kid Pepe, 1933
O x do problema, Noel rosa , 1936
Palpite infeliz, Noel rosa , 1935
Para me livrar do mal, Noel rosa e Ismael Silva, 1932
Pastorinhas, Noel rosa e João de Barro, 1934
Pela décima vez, Noel rosa , 1935
Pierrô apaixonado, Noel rosa e H. dos Prazeres, 1935
Positivismo, Noel rosa e Orestes Barbosa, 1933
Pra que mentir, Noel rosa e Vadico, 1937
Provei, Noel rosa e Vadico, 1936
Quando o samba acabou, Noel rosa , 1933
Quem dá mais?, Noel rosa , 1930
Quem ri melhor, Noel rosa , 1936
São coisas nossas, Noel rosa , 1936
Tarzan, o filho do alfaiate, Noel rosa , 1936
Três apitos, Noel rosa , 1933
Último desejo, Noel rosa , 1937
Você só...mente, Noel rosa e Hélio Rosa, 1933
Reflexão:

    • A filosofia no mundo é considerada um desconforto, pois leva o sujeito a uma reflexão sobre a vida cotidiana, e isso realmente incomoda, pois visa tirar o homem do seu estado de ignorância e comodidade; esse mundo o qual vivemos, o do Capitalismo, não permite que sejamos nós mesmos, que nos conheçamos como deveríamos; O homem não tem tempo para si mesmo, de buscar ou almejar o seu próprio entendimento, por isso permanece  construindo, desconstruindo e reconstruindo suas falsas verdades, ou seja, tudo o que encontra a sua volta, pois é mais fácil e coerente que vivam suas vidas imitando as alheias, alienados a uma realidade distorcida, escravos de uma cultura da estética e de um mundo mecanicista, construindo suas verdades para explicar-se e justificar-se no mundo.
    • Valéria Bahia

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